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Sonhos típicos na interpretação dos sonhos em Freud

  • Foto do escritor: Jéssica Domingues
    Jéssica Domingues
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Sobre a série “A Interpretação dos Sonhos

A Interpretação dos Sonhos: o inconsciente em imagens e deslocamentos


Publicada em 1900, A Interpretação dos Sonhos é considerada a pedra fundamental da psicanálise. Nela, Freud descreve como o inconsciente se expressa nas imagens oníricas por meio de condensações, deslocamentos e processos de figurabilidade — mecanismos que traduzem o pensamento inconsciente em cenas, símbolos e narrativas.


Com esta série, damos continuidade ao percurso iniciado em “Psicopatologia da Vida Cotidiana”, texto publicado em 1901 e que pode ser lido como um desdobramento de A Interpretação dos Sonhos. Se ali Freud mostrou como o inconsciente se revela nos lapsos, esquecimentos e atos falhos, aqui ele nos conduz à origem do trabalho onírico, onde o desejo se disfarça em imagem e o sentido se oculta no sonho.


Ao propor que os sonhos são a via régia para o inconsciente, Freud nos convida a atravessar essa fronteira entre o visível e o invisível, entre o que se sonha e o que se cala. Nesta série, acompanharemos essa travessia, explorando os conceitos fundamentais da interpretação dos sonhos e o modo como, ainda hoje, os sonhos seguem sendo uma via de acesso ao inconsciente e à elaboração psíquica.


Capítulo 5 d- Sonhos típicos


“Sonhos típicos na interpretação dos sonhos em Freud”, do blog da psicanalista Jéssica Domingues. Imagem vertical em tons azulados e lavanda, com formas curvas translúcidas sobrepostas em atmosfera nebulosa, sugerindo repetição e eco em composição abstrata.
No sonho típico cobre-se o ouro recalcado¹

Em geral, não estamos em condições de interpretar o sonho de outra pessoa sem que ela se disponha a comunicar as associações que conduzem ao conteúdo latente. O método de interpretação depende desse trabalho singular.


Freud observa, contudo, que há um conjunto de sonhos cuja estrutura parece amplamente compartilhada.


Sonhos de estar despido em público.Sonhos com a morte de pessoas queridas.Sonhos com exames.


Sonhos que muitas pessoas relatam de modo tão semelhante que é possível supor que, ao menos numa primeira camada, haja algo também compartilhado em sua interpretação.


É a esses que ele denomina sonhos típicos.


O que são sonhos típicos em Freud?


Os sonhos típicos são aqueles que se repetem com notável semelhança entre diferentes pessoas. Sua forma manifesta parece atravessar biografias e contextos, o que nos leva a supor que não se apoiam apenas em experiências individuais isoladas.


Ainda assim, Freud não os retira do campo da interpretação. O fato de um sonho ser típico não o transforma em alegoria geral nem em símbolo pronto. Ele permanece inserido na dinâmica do recalcamento e na formação do conteúdo onírico.


É justamente por isso que sua análise se torna delicada.


Quando as associações se tornam insuficientes


Freud nos conta que, ao analisar sonhos típicos, o material associativo costumeiramente se empobrece.


O sonhador, diante de um sonho típico, muitas vezes não produz as cadeias associativas que em outros casos permitem desdobrar o conteúdo manifesto. Ou então suas associações tornam-se vagas, obscuras.


Não se trata de um abandono do método, mas da constatação de uma dificuldade técnica. O sonho típico parece resistir ao desdobramento singular que a interpretação exige.


Freud indica que essa questão será retomada mais adiante, quando for possível compreender melhor por que essa insuficiência ocorre e de que modo ela pode ser compensada. Neste ponto da obra, o problema é apenas colocado.

Nos próximos textos, examinaremos cada um desses sonhos com maior precisão, começando pelo sonho embaraçoso de nudez.


¹ Alusão à imagem freudiana do “ouro da análise” e do “cobre da sugestão” encontrada no texto "sobre as linhas de progresso na terapia psicanalítica (1919)". A frase "No sonho típico cobre-se o ouro recalcado" brinco com a ideia que o típico não elimina o recalcado, apenas o recobre.


FAQ – Sonhos típicos na interpretação dos sonhos em Freud


1. O que são sonhos típicos na interpretação dos sonhos em Freud?

Freud chama de sonhos típicos aqueles que se repetem com notável semelhança entre diferentes pessoas, como os sonhos de estar despido, de perder alguém querido ou de enfrentar exames. Apesar dessa repetição, eles não deixam de pertencer ao campo da interpretação, pois permanecem ligados à dinâmica do recalcamento e à formação do conteúdo onírico.


2. O que distingue os sonhos típicos dos demais sonhos?

O que distingue os sonhos típicos é o fato de sua forma manifesta parecer amplamente compartilhada. Enquanto muitos sonhos só podem ser compreendidos a partir das associações singulares de quem sonha, os sonhos típicos apresentam estruturas recorrentes que se repetem entre diferentes pessoas. Essa característica os coloca numa posição particular dentro da investigação freudiana.


3. O que acontece quando tentamos interpretar um sonho típico com a técnica freudiana?

Ao tentar aplicar a técnica aos sonhos típicos, Freud observa que o sonhador frequentemente não produz as associações que, em outros sonhos, conduziriam à compreensão. As associações podem tornar-se obscuras ou insuficientes, de modo que o problema não se resolve com a mesma ajuda que costuma sustentar a interpretação em casos singulares. Freud indica que, mais adiante, explicará por que isso ocorre e como compensar esse efeito na técnica.


4. Os sonhos típicos limitam a técnica de interpretação dos sonhos?

A análise dos sonhos típicos evidencia uma tensão na aplicação da técnica, mas não a invalida. O fato de o material associativo se empobrecer não elimina o trabalho interpretativo; ele apenas exige um desenvolvimento posterior da investigação, que será retomado ao longo da obra.


Referência:

  • Freud, S (1900). A interpretação dos sonhos, 5-d

 

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Sobre a Autora:

Jéssica Domingues é psicanalista com percurso formativo pelo Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Atende adolescentes, adultos e casais em consultório particular, com atendimento presencial em Higienópolis (São Paulo) e Cerâmica (São Caetano do Sul), além de atendimentos online. Participa de grupos de estudos voltados à psicanálise contemporânea. Interessa-se por temáticas como depressão, luto, repetição e as formas atuais de mal-estar. É autora do artigo “O conceito de limite em André Green como proposta anti-procustiana ao enquadre clássico”, apresentado na Jornada de Membros do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes de 2022.   

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