Neste artigo da série 'Psicopatologia da vida cotidiana', Jéssica Domingues comenta o Capítulo 3 da obra de Freud, no qual o autor investiga os esquecimentos de palavras e nomes. A partir de exemplos próprios, relatos de pacientes e contribuições de colegas como Jung e Ferenczi, Freud mostra como o esquecimento pode expressar conflitos internos, recato moral, ambivalência afetiva e até sintomas histéricos. O texto apresenta como esses fenômenos, que à primeira vista parecem triviais, revelam o funcionamento do inconsciente — e, por isso, merecem escuta e investigação na análise. A autora destaca que não há causa única para o esquecimento: há caminhos singulares de formação, que exigem escuta sensível e atenta. O inconsciente se insinua nas falhas, e nelas revela desejos, resistências e mensagens cifradas do sujeito. A psicanálise, ao tomar essas expressões com seriedade, permite ao analisando reconhecer seus próprios movimentos internos, abrindo espaço para escolhas mais conscientes — mesmo que, às vezes, esquecer ainda pareça mais fácil.